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domingo, 19 de janeiro de 2014

Mais poesia na vida, por favor?!


Mais poesia na vida, por favor! É apenas um simples pedido, depois de tão poucas palavras, tuas. No universo tudo é seco, o ar rarefeito, as pontas dos dedos geladas e mesmo de longe sinto aspereza na tua voz, tua. E o inverso está preso na guela, desatina a palavra tão bela que grita Barbarela, a menina de sentimentos ocos, mocos, sem significado nem exatidão, meus. No segundo seguinte salto o verso na tentativa ridícula do desenlaço do traço da minha escrita cansada, só minha. Sempre sinto as pessoas tão rudes, ásperas e cruéis. Será mesmo que por dentro elas são assim? Se incendeiam quando se deparam com o belo, talvez sintam vontade de voar e se olhem no espelho e constatem que estão presas ao chão sem asas , são esqueletos cobertos de carne sem visão panorâmica, corpos. Eu nunca tive um lugar no qual me colocasse e dissesse: - Aqui eu estou bem, meu bem! Daqui, pelo ou menos, posso ver o final da estrada onde vou encontrar o que necessito, talvez você. Sim, eu necessito de abrigo, de uma palavra solta no ar, leve, que pouse nas minhas mãos feridas, só minhas. Necessito de alguém que me queira, queira bem, sem questionar a cor dos meus olhos ou o gosto da minha cama, quase nossa. A solidão me olha de cima em baixo e sorri sarcástica dizendo estou de volta! Eu queria poder dizer que eu amo, amo com todos os meus sentimentos inúteis, amo com meu vazio opaco e desbotado, que meu amor é quente, meu bem. Amar sem conferir no calendário o número de dias que se passaram desde o dia que te vi pela primeira vez. Eu quero solemente um abraço, um forte abraço sem travas nem estranhezas que me segure a dois dedos do chão e me destrave por inteira, meus enlaces, minha fúria, tão suas. E quem sabe com mais poesia, os céus me tragam na palma da mão as estrelas e os olhos parem de mentir, e as palavras esqueçam a rigidez do medo e se encham de abraços apertados, de ternura e porque não de amor, completamente nosso.

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